Textos e Atividades

O prazer da leitura

Nos encontros presenciais do curso "Melhor Gestão, Melhor Ensino", realizamos trabalhos em grupo. Um deles foi a elaboração de um roteiro de atividades com base nos textos "Avestruz", de Mário Prata, "Meu primeiro beijo", de Antonio Barreto e "Pausa", de Moacir Scliar. Houve um sorteio e cada grupo ficou com um desses textos. Seguem quatro roteiros de atividades.


Avestruz



O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus 10 anos, um avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu os avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruz. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar o avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa um avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase 3 metros - 2,70 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí, assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo o que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que os avestruzes vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a 30 crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que eles comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.

PRATA, Mário. Avestruz. 5ª série/ 6º ano vol. 2
Caderno aluno p. 9
Caderno do Professor p. 18
Ilustração: Fido Nesti

Roteiro 1
I - Antes da leitura

1. Levantamento de conhecimentos prévios. O que é um avestruz? O que é TPM? O que é Floripa?
2. Antecipação do tema a partir do exame de imagens (vídeo engraçado) e análise ilustrativa do texto.
3. Que texto é esse? Informativo, descritivo, explicativo ou prescritivo
4. Fruição, descrição.
II- Durante a leitura.

1. Leitura em duplas com o uso de par mais proficiente/fluente.
2. Leitura coletiva em voz alta.
3. Confirmação ou retificação das antecipações e expectativas.
4. Chamar a atenção para a descrição do avestruz: o que é um avestruz para o autor? (Dessa forma identificando as pistas linguísticas que introduzem a posição do autor – “Se é que podemos chamar aquilo de ave...”).
III- Após leitura

1.  Assistir: “Quando Deus criou o Rio de Janeiro”, propaganda do Rio Sul (Youtube)
2. Atividade lúdica: Escolher um animal e descrevê-lo por escrito, sem nominar, e dispô-lo para outros grupos tentarem adivinhar.
3. Escolher um ser/objeto e responder:  o que você acha desse ser/objeto? Como você acha que os outros percebem esse ser/objeto?
4. Descreva-o (a) de forma que seu leitor perceba como você se relaciona com esse ser/objeto.

Roteiro 2

1ª aula: Apresentação do texto que será trabalhado, por meio de leitura oral feita pelo professor, explicando que o mesmo texto será trabalhado pelas disciplinas de português, ciências, geografia e arte, introduzindo a ideia da interdisciplinaridade e deixando claro os objetivos e a forma de avaliação;

2º aula: Pesquisa em dicionário das palavras desconhecidas e formação de grupos para pesquisa sobre a origem, importância, tempo de vida, peso/altura, regiões de criação do animal, alimentação etc, na sala de informática.

3ª aula: Apresentação na lousa do conceito de crônica e leitura individual e coletiva de outros textos do mesmo autor, selecionados pelo professor, em sala de aula.

4ª aula: Levantamento oral sobre os elementos da narrativa, presentes na crônica, como: foco narrativo, personagem, enredo, tempo e espaço. Além de questões sobre os itens pesquisados e debatidos em outras disciplinas, como: origem, importância, tempo de vida, peso/altura, regiões de criação, alimentação etc.

5ª aula: Após a exploração de todos estes aspectos, o professor pode apresentar questões de interpretação e compreensão relacionadas ao texto “Avestruz”, realizando perguntas como: O garoto tinha condições de criar um avestruz onde ele vivia? Ele chegou a ganhar o animal? Quem são os personagens da narrativa e onde eles viviam?

6ª aula: Produção de texto, com a opinião pessoal, sobre o gênero estudado; produção de uma crônica, HQs, montagem do material pesquisa em cartolina ou papel Kraft para ser exposto no mural da escola etc.
  

Meu Primeiro Beijo

É difícil acreditar, mas meu primeiro beijo foi num ônibus, na volta da escola. E sabem com quem? Com o Cultura Inútil! Pode? Até que foi legal. Nem eu nem ele sabíamos exatamente o que era "o beijo". Só de filme. Estávamos virgens nesse assunto, e morrendo de medo. Mas aprendemos. E foi assim...
Não sei se numa aula de Biologia ou de Química, o Culta tinha me mandado um dos seus milhares de bilhetinhos:
"Você é a glicose do meu metabolismo.
Te amo muito!
Paracelso"
E assinou com uma letrinha miúda: Paracelso. Paracelso era outro apelido dele. Assinou com letrinha tão minúscula que quase tive dó, tive pena, instinto maternal, coisas de mulher...E também não sei por que: resolvi dar uma chance pra ele, mesmo sem saber que tipo de lance ia rolar.
No dia seguinte, depois do inglês, pediu pra me acompanhar até em casa. No ônibus, veio com o seguinte papo:
- Um beijo pode deixar a gente exausto, sabia? - Fiz cara de desentendida.
Mas ele continuou:
- Dependendo do beijo, a gente põe em ação 29 músculos, consome cerca de 12 calorias e acelera o coração de 70 para 150 batidas por minuto. - Aí ele tomou coragem e pegou na minha mão. Mas continuou salivando seus perdigotos:
- A gente também gasta, na saliva, nada menos que 9 mg de água; 0,7 mg de albumina; 0,18 g de substâncias orgânica; 0,711 mg de matérias graxas; 0,45 mg de sais e pelo menos 250 bactérias...
Aí o bactéria falante aproximou o rosto do meu e, tremendo, tirou seus óculos, tirou os meus, e ficamos nos olhando, de pertinho. O bastante para que eu descobrisse que, sem os óculos, seus olhos eram bonitos e expressivos, azuis e brilhantes. E achei gostoso aquele calorzinho que envolvia o corpo da gente. Ele beijou a pontinha do meu nariz, fechei os olhos e senti sua respiração ofegante. Seus lábios tocaram os meus. Primeiro de leve, depois com mais força, e então nos abraçamos de bocas coladas, por alguns segundos.
E de reperente o ônibus já havia chegado no ponto final e já tínhamos transposto , juntos, o abismo do primeiro beijo.
Desci, cheguei em casa, nos beijamos de novo no portão do prédio, e aí ficamos apaixonados por vária semanas. Até que o mundo rolou, as luas vieram e voltaram, o tempo se esqueceu do tempo, as contas de telefone aumentaram, depois diminuíram...e foi ficando nisso. Normal. Que nem meu primeiro beijo. Mas foi inesquecível!

BARRETO, Antonio. Meu primeiro beijo. Balada do primeiro amor. São Paulo: FTD, 1977. p. 134-6.

Roteiro 1

1. Antecipação – levantamento de hipóteses com base no título;
2. Questionamentos acerca do gênero – perguntar aos alunos qual seria o gênero textual;
3. Relato oral dos alunos sobre o tema abordado no texto – relato de experiência
4. Leitura silenciosa;
5. Leitura expressiva – realizada pelos alunos;
6. Linguagem utilizada (formal/informal; termos de texto científico);
7. Levantamento de palavras desconhecidas – uso do dicionário;
8. Elementos da narrativa – principalmente, apresentação dos personagens;
9. Filme “Os croods” – relacionar o texto com o filme;
10. Apresentação de outros textos com a mesma temática – reportagem, letra de música;
11. Reescrita do texto (ponto de vista do garoto – troca do narrador);
12. Socialização da produção escrita dos alunos.

Roteiro 2

1. Título: levantamento de hipóteses de maneira implícita;
É um tema que gera polêmica, então, no primeiro momento, poderíamos pedir uma leitura silenciosa para que refletissem sobre seu primeiro beijo.
2. Leitura silenciosa e compartilhada;
Alguns alunos não conseguem alcançar o entendimento em uma leitura individual, a sugestão é que se faça uma segunda leitura de forma compartilhada. Pode ser realizado por um aluno enquanto o professor faz as intervenções necessárias.
3. Assistir ao filme “Nunca fui beijada” – diálogo entre diferentes gêneros;
O filme em questão trata do mesmo tema, então os alunos conseguirão observar e comparar os diferentes gêneros trabalhados.
4. Intertextualidade com biologia e ciências (busca por informações);
O texto traz termos científicos. Poderíamos, no momento da leitura, esclarecer algumas dúvidas sobre esses termos e neste momento poderia haver um trabalho interdisciplinar com a disciplina de biologia ou ciências.
5. Construção de vocabulário;
Por meio do texto, os alunos poderiam inferir os significados de palavras desconhecidas construindo vocabulário.
6. Período Composto- conjunção
A partir do texto, trabalhar as orações coordenativas e suas conjunções para trazer coesão e, assim, coerência à escrita. 
7. Pontuação;
Ao mostrar a pontuação e sua função dentro do texto, os alunos entendem com mais facilidade.
8. Pesquisa sobre autor;
A pesquisa poderia ser realizada com auxílio das mídias, ou seja, sala do acessa, sala de vídeo entre outros.
9. Produção escrita (relato ou outra tipologia textual);
Os alunos fizeram a comparação dos gêneros, isso inclui suas estruturas e tema, poderíamos partir para a produção escrita. No primeiro momento, pode ser realizado com o professor sendo o escriba. Posteriormente, tomando como exemplo a produção coletiva, os alunos farão suas produções individualmente. Após a revisão, realizar a escrita final.
10. Socialização das produções.

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